De Buenos Aires, pegamos o Buquebus, um ferry que o Uruguai. Pode-se escolher entre ir até Colônia do sacramento e depois curtir 5 horas de ônibus ou ir de ferry até Montevidéu e curtir 2 horas de bus. Além disso, tem o ferry/buque rápido (chega em Colônia em 1 hora) e o buque lento (mais barato e que chega 3 horas em Colônia). Escolhemos o buque de 1 hora pq não somos fãs de barcos e atividades aquáticas. Eu confesso que estava meio bolada de passar uma hora numa barca, mas pensei: meu Pai todo poderoso... o barco vai atravessar um rio ( o Rio da Prata)...é só um rio... o que pode acontecer numa travessia de um rio? Mal sabia o que me esperava na volta...
O buque saiu 9h da manhã e, assim que chegamos em Colônia, já havia um ônibus nos esperando. Quando for pegar o buque, chegue 1 hora antes porque aquele check in é uma zona. Não esqueça de levar passaporte ou a identidade porque estamos indo para outro país e temos que passar pela Imigração. Dentro do buque tem free-shop e tudo!
Após 5 horas dentro do ônibus, chegamos em Punta del este!! Ooobbaaaaaaaaaa!! Um sol de rachar a cuca, um céu azul maravilhoso demais!! Fomos procurar o El Viajero Hostel, albergue que eu havia reservado e, para nossa sorte, ele era a poucos metros da rodoviária. Não gostei muito do albergue, apesar de bem localizado. Primeiro que só aceitam dinheiro vivo (dólares, pesos argentinos, pesos uruguaios ou reais); segundo, que haviam me falado um preço e quando eu cheguei lá era outro. Eu havia reservado um quarto privativo de casal e o ar condicionado não funcionou em nenhum dos dias. Ficamos só com ventilação e eles não consertaram até a gente ir embora.
Não é necessário trocar dinheiro por pesos uruguaios. Eles aceitam dólares, reais e pesos argentinos, mas o troco é sempre em pesos uruguaios.
Mas tudo bem...beleza. Chegamos lá por volta das 3 da tarde e fomos passear pela av. Gorlero, a principal rua de Punta com diversos restaurantes e lojas. Fomos caminhando depois até o Punta Shopping (foi lá que eu comprei o meu Swatch, mais barato que em Buenos Aires). A cidade é bem gostosa, lembra Búzios, Cabo Frio...
Fomos conhecer a Playa Mansa, praia banhada pelas águas do rio da Prata e ficamos até o pôr do sol. Foi uma das imagens mais lindas que eu já vi na vida. Foi de tirar o fôlego!
Tenho que dizer: nunca vi tantos carros luxuosos reunidos em um lugar só. Aquilo é um poço de gente endinheirada. Lá só tem Mercedes (todos os táxis são Mercedes), BMW, Porsche, Chrysler, conversíveis de todas as marcas, cores e tamanhos, milhares de caminhonetes de milhares de reais...aaaaaaaaaaa um sonho! Ver um Palinho ou um Golzinho por lá é quase impossível...
No dia seguinte, após uma noite caliente no quarto sem ar condicionado, fomos tomar um café da manhã horroroso no albergue e seguimos para o Porto de Punta. Tinha ouvido falar que lobos-marinhos ficavam por lá nos sábados de manhã porque tem uma feira de pescadores e eles ficam lá comendo os restos de peixes. Fomos lá conferir porque eu estava louca pra ver um lobo-marinho de perto!
Ao chegarmos tinham uns 2 lobos-marinhos com a cabeça pra fora da água esperando os peixes que os vendedores tacavam no mar! Uma fofura! Havia umas focas lindas também disputando a comida com as gaivotas. Fiquei lá, toda boba, observando essa cena. Para alguns pode até ser uma besteira, mas eu adorei! Nunca tinha vistou uma foca nadando tranquilamente, muito menos um lobo-marinho!
Saímos de lá e fomos caminhando em direção à Praia Brava, do outro lado da Península. Na Praia Brava é que está a escultura La Mano, símbolo de Punta. É uma escultura de uma mão enorme no meio da areia. Após perguntarmos os preços dos aluguéis de barracas e cadeiras (cerca de 15 reais cada, surto total), encontramos uma barraca com mesas, cadeiras e quadr-sol. Maravilha e de graça. Bebemos uns refris, uns panchos(=cachorro-quente) e ficamos por lá a tarde toda. A praia em si não é muito bonita, a areia é escura. As praias brasileiras são bem mais bonitas, mas valeu a pena.
Fomos almoçar num Mc Donalds da vida e fomos procurar saber como ir a Casa Pueblo, uma casa construída pelo artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró, que é um dos pontos turísticos de Punta. Na verdade, a casa fica em Punta Ballena, a 15 km de Punta. Geralmente os city tours terminam seus passeios por lá, mas como não queríamos fazer o city tour, resolvemos ir por conta própria.
Na rodoviária informaram que teríamos que pegar um ônibus que fosse em direção a Montevideo, mas teríamos que saltar no meio da estrada. De Punta até o tal ponto da estrada levaria uns 20 ou 30 minutos. Aí começou nossa aventura. Pedimos duas vezes para o motorista nos avisar onde devíamos saltar. O fiscal do ônibus, que estava recolhendo o dinheiro da passagem, também disse que ia nos avisar. Detalhe: quem compra passagem pra ir até Punta Ballena não tem direito a assento. Quando nós entramos no bus, nós sentamos. Aí o motorista ainda parou em vários pontos dentro da cidade e então subiram diversas pessoas.
Saltamos no meio da estrada e demos de cara com uma cabine da Polícia Rodoviária. Perguntamos onde era a entrada da tal estradinha para casapueblo. Ele fez uma cara tão desanimadora que me deu vontade de chorar: “ iihhh, hhummmm, bemmm...tá meio longe...” ah, se eu tivesse uma arma..matava aquele fiscal desgraçado. Isso tudo com uns 40 graus, um lindo sol brilhante, sem uma nuvem no céu ( quando a gente precisa de uma nuvenzinha, elas desaparecem). Um calor que beirava o insuportável. Sentia minha pele queimando.
Começamos nossa luta. Por sorte, ao lado da estrada, havia uma rua de terra com várias casas, pousadas, etc. Havia vida e civilização por ali. Fomos andando no sol quente e sempre que víamos um ser humano, perguntávamos se estava chegando. Confesso que foi mais fácil do que eu imaginava. Encontramos a tal estradinha de 1km que nos levaria a Casapueblo. Tentamos pedir carona, mas ninguém teve compaixão... rs
A tala estradinha era bem legal... várias casas grandes e bonitas, cheias de hortências, tudo bem florido. Lá no meio da estrada, chegamos num mirante que dava para ver Punta Del Este todinha! Muito legal! Depois de uns 20 minutos andando, chegamos a Casapueblo. Olha, sinceramente: é uma casa bem diferente, arquitetônicamente falando, mas não morri de amores não. Na entrada tem uma exposição com as obras de arte do artista, subindo tem um restaurante e um terraço para ver a vista. A vista é bem bonita, dizem que o pôr do sol lá é estonteante, mas não ficamos. Eu tinha que visitar porque é um ponto turístico, mas a casa em si não me encantou.
Voltamos tudo a pé de novo e fomos tentar achar um ônibus. Para nossa sorte, havia um casal argentino e mais 3 garotos italianos também perdidos no meio da estrada querendo voltar para Punta. Vários ônibus passaram e não pararam para a gente. Até que um ônibus que ia para Maldonado parou e nós conseguimos entrar. Saltamos em Maldonado e pegamos outro ônibus para Punta e foi bem rapidinho.
Enfim, após essa maratona, fomos descansar um pouco no albergue. À noite fomos conhecer o famoso Conrad Resort & Cassino. Entramos no cassino, jogamos um pouquinho nas máquinas e depois fomos dar uma olhadinha no hotel! Saímos de lá e fomos em direção à Av. Gorlero passear um pouco mais. Comprei algumas coisinhas (tem diversas lojas legais lá, uma delas é a La Compania del Oriente...). caminhamos pelo centro e depois fomos jantar num restaurante indicado por umas brasileiras. O nome é Cantina e fica na Praia Mansa, perto do Conrad. Comemos um risoto de camarões maravilhoso! Recomendo.
No último dia fomos para a Praia Brava novamente, mas não ficamos muito tempo porque o ônibus até Colôia sairia às 15h. A volta de ônibus foi tranqüila, mas o buquebus foi meio turbulento. Já eram 9h da noite quando entramos no buque, mas ainda havia um solão. Lá escurece muito tarde. Eu estava no free-shop, no andar de baixo do barco, feliz da vida comprando um lápis de olho quando o negócio começou a saculejar tão desesperadamente que eu comecei a ficar tensa. Pra não falar a verdade, eu não estava tensa. Eu estava apavorada e tremia da cabeça aos pés. Os perfumes e garrafas começaram a cair das prateleiras, eu de morena já estava verde de pânico, e o carinha-funcionário que estava no caixa pagando as coisas falou na maior tranqüilidade. “É o vento” disse ele. “Mas não se preocupe, uma hora de viagem passa rapidinho”. Eu tremia tanto de pavor e pensava: “Meu Deus, se num rio ele está balançando desse jeito, imagina em alto mar?”. A partir daí acabaram de vez todas as chances de visitar Ilha Grande. Sem condições. Não me perguntem porque eu sinto esse pavor todo. Sei nadar muito bem e não tenho medo de água. Não sei porque tenho tanto pavor de barco balançando. Um dia eu descubro e conto.
Voltei para o meu lugar tão pálida que o meu namorido pensou que eu estivesse irritada porque não havia encontrado meu lápis de olho. “e eu lá quero saber de lápis de olho? To desesperada. Esse barco ta balançando muito.” O coitadinho me puxou para sentar perto dele, derrubei o sanduíche da menina que estava do meu lado e ainda sentei em cima dele. Mas ela comeu assim mesmo. Enfim, depois de uns 15 minutos de pânico, a poeira assentou, ou melhor, o maldito vento parou e seguimos viagem felizes e vivos até Buenos Aires.
Punta é uma graça, muito divertido e vale muito a pena. É uma cidade bem cara, mas não deixe de conhecer.

